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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Psiquiatria: Desvios Sexuais

Aceitando-se as principais teorias psicanalíticas, segundo as quais toda a vida da pessoa gira em torno das situações antagônicas prazer - desprazer e que o desenvolvimento da personalidade se faz fundamentalmente em torno da libido, torna-se fácil compreender as atividades sexuais como formas de manifestação da personalidade.
Por essa mesma razão, muitas vezes o ato sexual deixa de ser natural, embora se mantenha heterossexual - isto é, praticado por indivíduos de sexos diferentes. O item dos desvios sexuais constitui um dos capítulos mais extensos da psiquiatria e, por esta razão, está dividido em diversas partes.
As denominações perversões sexuais ou aberrações sexuais vêm sendo aos poucos abandonadas, porque trazem em si uma idéia de moral e de ética que prejudica a conceituação estritamente científica do problema.
Provavelmente, também, o termo desvio, depois de cair no domínio público, passará a ser usado com sentido moral e ético, sofrendo o mesmo fenômeno ocorrido com as palavras perversão e aberração. O capítulo dos desvios, de qualquer forma, abrange um vasto campo de comportamentos sexuais que se afastam dos conceituados como normais.

NORMAL OU ANORMAL? - As dificuldades começam na falta de limites muito definidos entre o que se considera normal ou anormal, salvo nos casos extremos. De um lado, a prática sexual legítima, dedicada e harmônica. E, de outro, o encontro patológico, doentio.
O conceito puramente estatístico dos hábitos sexuais não é suficiente para determinar o que são atitudes normais ou anormais. Nem sempre o mais comum é o normal ou o correto. Isso fica claro quando se analisa a situação da mulher. Até há alguns anos, era mais comum a ausência de prazer para a mulher no ato sexual. Era normal, então, a mulher apenas servir ao homem e sujeitar-se à procriação.
Outra dificuldade - ainda maior do que a anterior - é a de estabelecer, no ato ou no comportamento sexual global, se uma conduta aparentemente normal é realmente normal. Ocorre que, mesmo na união heterossexual e pelas formas reconhecidas como normais e corretas, os indivíduos podem não ter como objetivo principal do encontro de prazer a realização sexual. Ou então aliam à realização sexual outras finalidades, como, por exemplo, a de subjugar o parceiro ou a parceira, para dominar e vencer. Esse tipo de comportamento, no qual a pessoa busca outros resultados que não somente o prazer na união, é também classificado como desvio, muito embora formalmente seja considerado correto.
Por aí se verifica como é difícil, senão mesmo impossível, estabelecer um critério geral que seja realmente válido para definir a sexualidade normal. Contudo, é possível apresentar alguns conceitos e colocar em discussão os desvios mais comuns e que caracterizam a situação anormal.
Evidentemente, a primeira exigência da sexualidade normal é a de que seja praticada por duas pessoas de sexos opostos. Mas isso não é garantia bastante para se ter uma união normal. No encontro heterossexual, o fim almejado é o orgasmo, o prazer. E isso estabelece mais uma condição: a busca da situação prazerosa tem de ser harmônica, realmente a dois. Como uma das poucas regras absolutas, deduz-se do exposto que todo o comportamento sexual que não integre dois indivíduos de sexos diferentes é anormal.

SOLIDÃO A DOIS - Analisando-se os casos de amor a dois, inicialmente normais, é freqüente encontrar muitas situações anormais, em exames mais profundos e detalhados. Quando se estabelece a ligação entre um homem e uma mulher apenas com o sentido de “presença física”, um deles ignora o outro ou ambos se ignoram reciprocamente. Nesses casos, a conduta de cada um é idêntica à conduta solitária. O parceiro ou parceira participa apenas como uma espécie de objeto. E, paradoxalmente, o ato é solitário, embora a dois.
Pode-se entender, então, porque o comportamento sexual normal, por ser de um casal, é condição tão estrita, já que o conceito de prazer, de individual, passa a ser comum ao par.
Os psiquiatras sabem como é difícil encontrar um casal perfeitamente adaptado e preocupado com a busca do prazer para ambos os cônjuges. Isto porque a frigidez da mulher é bastante comum. E como a frigidez impossibilita a harmonia, o ato sexual torna-se anormal. O que não significa, obviamente, que exista no caso uma perversão ou aberração sexual. Por sua vez, o homem que nem sempre se preocupa com a situação da mulher concorre para a permanência da anormalidade.
Esmiuçando-se ainda mais a situação, conclui-se que, para o encontro ser normal, o par terá de obter prazer no ato sexual. Deverá existir entre ambos a harmonia, o entendimento e a dedicação, ou seja, o amor. Isto significa que muitas vezes o casal encontra o prazer físico nascido de uma fonte diferente, que não a do amor.

OS LIMITES IMPRECISOS - Deve-se ressaltar, mais uma vez, como é complexo estabelecer um conceito geral das atividades normais ou anormais, durante o ato sexual. As liberdades e intimidades são válidas, em seu sentido mais amplo, desde que não constituam violência ou constrangimento para nenhum dos dois. Ao contrário, deverão ser aceitas ou desejadas por ambos. Qualquer ato preliminar forçado produz sentimentos de culpa ou de medo. Assim, tais liberdades e intimidades somente são legítimas na medida em que constituem preparativos para a plena realização do ato. Se forem isoladas ou surgirem após o encontro, são qualificadas de anormais.
É importante manter consciente que a realização sexual plena escapa ao sentido meramente instintivo, físico. São também elementos básicos os componentes psicológicos. O ato sexual é o resultado de motivações biológicas, psicológicas e sociais.
Freud classificou as condutas sexuais anormais em indivíduos que tem objeto sexual anormal. Neste caso estão enquadrados os homossexuais, os que buscam animais para a prática sexual (bestialidade), os que se utilizam de indivíduos impúberes ou os que utilizam outras partes do corpo como objeto ou meio sexual.
Também os sadistas, os masoquistas e os fetichistas são incluídos entre os tipos de conduta anormal. Os fetichistas encontram prazer em objetos, mormente do vestiário feminino, para os homens. Geralmente são peças íntimas diante das quais os indivíduos se sentem altamente excitados.
Todas essas condutas tornam-se mais patológicas quanto mais forem acentuadas, na proporção direta em que passam a ser mais importantes do que a realização sexual normal e plena. Dessa forma, verifica-se que mesmo as condições de anormalidade são diferentes entre si, havendo não só as graduações dos desvios, mas também um sentido diferente conforme o meio e outras circunstâncias.
A bestialidade, no meio rural, onde há o contato permanente com animais e, ao mesmo tempo, dificuldades para o encontro de um parceiro sexual, é diferente da bestialidade em outras condições, nas quais os indivíduos preferem e escolhem os animais porque estão exclusivamente motivados para a realização sexual por essa forma.
Além dos objetos anormais, existem os fins sexuais anormais. É o caso, por exemplo, das pessoas que se fixam na preparação preliminar, encerrando aí seu interesse, sem a realização do ato sexual.

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Quem sou eu

Nascido no Japão como filho de massagista shiatsu em 1947, imigrado ao Brasil em 1959, residente em Marília/SP/Brazil desde 1997.

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